Hérnias de Disco Volumosas. Qual a melhor conduta?

Autor: Igor Caio Santana de Andrade

A Dor Lombar (lombalgia) foi tratada anteriormente como o resultado de uma doença de tecidos que envolvia fatores estruturais, anatômicos e Biomecânicos (nosso famoso modelo Biomédico ineficaz), e por essa razão comumente era tratada cirurgicamente e como recomendação seguinte, o repouso era a Lei. (não se levava em consideração os efeitos deletérios do repouso prolongado ao sistema musculoesquelético)

Inclusive neste contexto, lamentavelmente, a Fisioterapia abraçou esse modelo carente, buscando a correção não-cirúrgica desses “disparates estruturais” perseguindo mais e mais os possíveis movimentos passivo/ativos falhos, do que o entendimento dos mecanismos básicos da dor e implicações mais profundas das doenças em todo o seu contexto.

Dentro do universo da dor lombar e da dor ciática exploraremos o que a literatura científica séria tem a nos falar das grandes herniações e qual a tomada de decisão mais vantajosa aos pacientes.

Mesmo que a história natural das hérnias não é totalmente clara na literatura para que intervenções cirúrgicas sejam tomadas o The Royal College of Surgeons of England, no ano de 2010, publicou um estudo onde 37 pacientes com Dor Ciática Severa foram avaliados clinicamente e acompangados por Imagens de Ressonância Magnética (IRM) com intervalos de 06 em 06 meses por 02 anos. Com uma reavaliação do quadro (follow-up) em 07 anos.

Os eleitos para o estudo com a apresentação de dor ciática severa, começaram a apresentar melhoras clínicas importantes apesar das grandes hernias discais volumosas nos exames de imagem.

As respostas para este estudo foram:

  1. É seguro a adotar uma política de "esperar para ver" mesmo para os casos de Hérnias de Disco volumosas caso haja qualquer sinal precoce de melhora clínica;
  2. Quando a evolução clínica for evidente, 83% dos casos de Hérnia de Disco volumosas terá uma melhora sustentada;
  3. Apenas 17% dos casos terão crises recorrentes e de volta a dor e ciática;

Se houver evidência de melhora clínica, as Hérnias de Disco volumosas parecem não implicar em um risco para maiores danos nos nervos ou mesmo Síndrome da Cauda Eqüina (uma condição grave da Coluna que classicamente caracteriza-se pela compressão das raízes nervosas lombares, sacrais e coccígeas distais ao término do cone medular na altura das vértebras L1 e L2. Apesar de se tratar de uma doença de baixa incidência na população, girando em torno de 1 para 33.000 a 1 para 100.000 habitantes, suas sequelas ainda geram altos custos para a saúde pública);

5. As Hérnias Discais volumosas normalmente reduzem-se em volume e por 6 meses a maioria são apenas um terço do seu tamanho original.

Neste estudo os exames de imagem foram usados para medir o volume das herniações. Perceba que não há um discurso contra os recursos imaginológicos pela Fisioterapia.
Lutamos apenas para que esses recursos sirvam para o bem comum, e que sejam administrados de forma coerente, sem gerar fomentar as crenças de fragilidade para os pacientes.

Referências: